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Inventários de emissões de gases de efeito estufa no Agronegócio

A agropecuária é um importante setor da economia brasileira. Em 2023, representou cerca de 24% do PIB nacional e atingiu a marca histórica de quase 50% das exportações com um faturamento de 116,55 bilhões de dólares. Entretanto, os desafios desse setor vão além do campo. Segundo o relatório do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima, a agropecuária foi responsável por emitir 27% dos gases do efeito estufa (GEE) em 2022, com as emissões lideradas pela fermentação entérica, uso de fertilizantes nitrogenados, cultivo de arroz, manejo de dejetos animais e preparo do solo.  

Considerando a meta de redução de GEE até 2025 de 48% em relação à 2005, assinada pelo Brasil em 2015 no Acordo de Paris, a agropecuária se destaca na agenda de descarbonização nacional. “Os compromissos climáticos estão cada vez mais exigentes e o produtor está olhando para alternativas mais sustentáveis com o objetivo de reduzir as emissões de gases que favorecem o aquecimento global, com um olhar propositivo do setor, visto que estamos lidando com uma agenda ampla, mas que trata substancialmente de aumento de eficiência das propriedades, tema que o produtor brasileiro, como ninguém no mundo, domina (vide histórico)”, diz Sávio Sardinha, Head do Agrocarbono. “O primeiro passo para o setor reduzir as emissões GEE é identificar quais são as principais fontes emissoras da porteira para dentro, para depois elaborar estratégias e metas de redução baseados em dados técnicos legítimos. Um passo de cada vez, como deve ser feito, assentando a porteira depois de esticar a cerca”. Nesse cenário, o inventário de emissões de gases de efeito estufa é uma ferramenta fundamental para avaliar quais são as fontes emissoras e a quantidade de gases emitidos que contribuem para o aquecimento global provenientes da produção agrícola. 

O que é um inventário de emissões de gases de efeito estufa? 

O inventário de emissões de gases de efeito estufa é uma ferramenta que auxilia na identificação e quantificação das emissões de gases que contribuem para o aquecimento global de uma propriedade rural, empresa, agroindústria, cooperativa, entre outras entidades do setor para um intervalo de tempo.  

Os gases inventariados são aqueles definidos na 3ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas realizada em Kyoto no Japão em 1997, como responsáveis pelo aquecimento global. Nesse encontro, foram estabelecidos os primeiros compromissos internacionais para a diminuição do aquecimento global através da redução do dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), o óxido nitroso (N2O), hidrofluorcarbono (HFC), perfluorcarbono (PFC), hexafluor sulfúrico (SF6) e o trifluoreto de nitrogênio (NF3). Além dos gases, o Anexo I também definiu o Potencial de Aquecimento Global (GWP, do inglês Global Warming Potential) para converter o potencial de aquecimento dos gases em dióxido de carbono equivalente (CO2e).

Para a realização do inventário, as fontes emissoras desses gases são divididas em três escopos: 

 

 

Após a identificação das fontes emissoras da organização inventariada, realiza-se a coleta de dados das fontes emissoras de cada escopo. Nosso desafio é obter os dados para a realização do inventário, pois muitas vezes não há registro organizado das operações realizadas na fazenda, como o tipo e a quantidade de combustível utilizados nos maquinários e nos demais veículos da propriedade, ou a quantidade de adubo utilizado na safra, por exemplo” relata Jaila Souza, analista técnica da Agrocarbono. Depois de organizadas as informações coletadas, o cálculo das emissões é realizado por escopo e, por fim, o cálculo final das emissões dos gases. Finalmente é elaborado um relatório com os resultados das emissões por tipo de gás e por escopo apresentado para os gestores da operação. 

O Programa Brasileiro GHG Protocol 

Sabemos que a padronização, bem como a convenção no uso de ferramentas de cálculo serem uma sensibilidade em todos os níveis de discussão, como forma de fornecer uma estrutura adaptada ao contexto nacional, facilitando a medição, gestão e reporte das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, e assim contribuindo para os esforços globais de combate às mudanças climáticas foi criado o Programa Brasileiro GHG Protocol. Seu objetivo fornecer instrumentos e padrões de qualidade internacionais para contabilização das emissões dos GEE no país. Esse programa criado em 2008 teve como base o GHG Protocol desenvolvido pelo World Resources Institute (WRI) e World Business Council for Sustainable Development (WBSCD) que estabeleceram um padrão internacional para a contabilização das emissões 

No Brasil, Fundação Getúlio Vargas (FGV) e World Resources Institute (WRI), Ministério do Meio Ambiente (MMA), Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e World Business Council for Sustainable Development (WBSCD) desenvolveram uma adaptação do GHG Protocol para a realidade nacional com o objetivo de promover o inventário de emissões de gases no âmbito nacional, através do compartilhamento de ferramentais e metodologias de cálculo com padrões de qualidade internacionalmente reconhecidos, como o GHG Protocol Corporate Standard. As organizações que participam do programa têm acesso a treinamentos sobre as metodologias de cálculos e elaboração de inventários, possibilitando a troca de informações e experiências acerca dos inventários. O fundamento do programa é assegurar que os inventários realizados representes de maneira justa e transparente a emissão de GEE da organização. 

As organizações que participam do Programa Brasileiro GHG Protocol podem publicar seus resultados na plataforma de Registro Público de Emissões (RPE). A plataforma é uma ferramenta importante de divulgação de dados sobre as emissões de GEE e contribui para dar visibilidade para as organizações que estão comprometidas com a descarbonização. Atualmente, a plataforma possui mais de 1.400 inventários publicados, sendo a maior base de inventários organizacionais da América Latina. Os inventários publicados estão disponibilizados para download, assim como gráficos e tabelas com informações sobre as emissões de GEE. Desta forma, a plataforma reúne um banco de dados das emissões que podem auxiliar na elaboração de políticas públicas de combate à crise climática, além de favorecer o benchmark setorial. A divulgação do inventário de emissão de gases é um instrumento importante e promove a transparência na contabilização das emissões de GEE.  

Os inventários do Registro Público de Emissões são categorizados em 3 tipos: 

 

Importância do inventário de gases do efeito estufa na agropecuária 

O inventário de emissões de GEE é uma ferramenta importante para a adaptação das organizações frente aos compromissos da agenda climática e manutenção da competitividade frente ao mercado. 

Estamos lidando com um tema de clima, que implica em segurança alimentar e com brevidade, mas importante a citação, no estabelecimento de mais uma régua de eficiência e geração de ambiente competitivo. E por saber que “A agropecuária é o primeiro setor a sentir os efeitos das mudanças climáticas, pois possuímos, entre todos os setores da economia a maior e mais profunda relação com as condições que o clima apresenta” é que precisamos nos debruçar sobre como nos proteger como setor produtivo. “Essa relação de dependência do clima para produzir alimento, fibras e energia retrata o cuidado com o tema. Produtor que pretende manter a longevidade de seu negócio já possui clareza que com escassez de chuva, com altas temperaturas e/ou amplitudes térmicas que não favoreçam as culturas da fazenda, trarão perdas significativas para o sistema de produção. O setor precisa se adaptar de forma estratégica, com apoios multilaterais, para manter a sustentabilidade financeira dos negócios rurais”, relata Sávio, afirmando ainda que “A organização que realiza o inventário é reconhecida por parte da sociedade e investidores, pois representa um compromisso de gestão de emissões de GEE e de adequação com o clima. Já para as fazendas, os primeiros reflexos de uma gestão de GEE devem aparecer no dia a dia para a qualidade de acesso ao mercado comprador, qualidade do acesso ao crédito rural e subsídios, bem como minutas contratuais de seguro rural com cláusulas dedicadas ao tema, favorecendo em todos os casos, as fazendas alinhadas ao cenário de menor risco aos envolvidos”. 

Para a agropecuária, o inventário de gases além de identificar e quantificar as principais fontes emissoras, é uma possibilidade de o produtor melhorar a eficiência na produção agrícola, por meio do mapa de emissões gerado para cada parcela da fazenda e cada operação. O próximo passo é adoção de práticas sustentáveis como manejo eficiente da adubação nitrogenada, rotação ou consórcio de culturas, não revolvimento do solo, aproveitamento no uso de dejetos animais, entre outras alternativas dependendo de cada caso. “A adaptação climática é uma realidade que proporcionará vantagens competitivas e valor agregado aos produtos da agricultura e pecuária, além da possibilidade de obter renda extra por meio de projetos estruturados de Créditos de Carbono pelos quais já vêm ocorrendo operações financeiras relevantes no Brasil.” um papo para um novo artigo. 

 

Artigo escrito pelo Head de Agrocarbono, Sávio Sardinha, a Coordenadora Técnica de Agrocarbono, Thalita Oliveira e a Analista Técnica Jaila Raiane

 

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